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Diagnóstico da leishmaniose

 

Diagnóstico clínico
O diagnóstico da Leishmaniose não se deve basear somente nos sinais clínicos ou no resultado de um teste de diagnóstico porque:

  • Os cães observados podem estar aparentemente sãos. Estes cães podem estar em fase de incubação, permanecendo assintomáticos.
  • Os sinais clínicos mais comuns, embora indiciadores, não são específicos da Leishmaniose.
  • Um resultado serológico positivo de um cão, que não apresente sinais clínicos típicos, pode ser devido ao facto do animal ter estado em contacto com o parasita, e ter conseguido, eventualmente, eliminar a infecção por completo.

Têm sido descritas formas atípicas de leishmaniose canina. Alguns casos apresentam dermatite localizada, colite crónica e alterações cardiovasculares, respiratórias e músculo-esqueléticas. Isto pode complicar ainda mais o diagnóstico clínico.

Exames Complementares de Diagnóstico
O diagnóstico definitivo da Leishmaniose pode não ser fácil. Os sinais clínicos são variáveis e não existe um teste de diagnóstico 100% específico disponível. No diagnóstico final devem ter-se em conta várias informações, provenientes do exame clínico e dos exames complementares de diagnóstico efectuados.
Os métodos de diagnóstico utilizados para a leishmaniose são:

  1. Parasitológico, exame microscópico e de cultura.
  2. Serológico, para detecção de anticorpos.
  3. Detecção de ADN parasitário


Métodos Parasitológicos

Consiste na demonstração das formas amastigotas num esfregaço de aspirado de medula óssea ou de linfonodo, corados pelo método de Giemsa. Este é um teste rápido e barato, tem uma alta especificidade mas pouca
sensibilidade.
A sensilidade pode ser aumentada através do cultivo in vitro das formas amastigotas, encontradas nos aspirados de linfonodos ou de medula óssea. Estas transformam-se em formas promastigotas que se multiplicam. A sensibilidade do cultivo depende:

  • Do tipo de meio usado (o meio de agar-sangue bifásico é o mais eficiente).
  • O número de viais de cultura utilizados (poucas gotas de aspirado distribuído por vários viais pode dar melhores resultados).
  • O número de amostras colhidas (vários aspirados de vários linfonodos aumentam a sensibilidade).

Métodos sorológicos
Pelo facto dos cães clinicamente doentes desenvolverem, geralmente, altos níveis de Ac circulantes, os testes sorológicos são uma ferramenta importante de diagnóstico.
Os testes sorológicos que podem ser usados são:

  • Imunofluorescência indirecta (IFI)
  • ELISA
  • Teste de aglutinação directa (DAT)
  • Western Bloting
  • Teste de fixação do complemento
  • Teste de hemoaglutinação indirecta
  • Teste de aglutinação em látex
  • Imunoelectroforese

Estas técnicas diferenciam-se pelo tipo de antigénio de leishmania utilizado e pela sua facilidade de uso – alguns são mais fáceis de realizar e outros implicam um bom equipamento laboratorial. De uma forma geral, a IFI (considerado o teste de eleição), o ELISA, o DAT e o Western Blot dão os resultados mais satisfatórios e são os mais utilizados.
Quando avaliamos os resultados dos testes serológicos devemos a ter em conta que:

  • A detecção de um título de anticorpos considerado como positivo pode não significar que o animal esteja doente e somente indicar que o animal teve um contacto com o parasita.
  • Os testes serológicos não são 100% sensíveis. Os cães em fases iniciais da infecção podem ser seronegativos (falsos negativos).
  • Os métodos serológicos não são adequados para a avaliação da cura clínica e da eficácia do tratamento nos cães.

Kits Rápidos
Os kits comerciais para a detecção rápida de anticorpos estão a começar a ser utilizados de forma mais alargada. A maioria destes kits consiste em ensaios imunocromatográficos, que empregam anticorpos monoclonais IgG anticaninos marcados com ouro coloidal e o antigénio da leishmania de diferentes fontes. São fáceis de utilizar e dão o resultado em cerca de 10 minutos.
A eficácia destes kits foi recentemente avaliada. Concluiu-se que a especificidade foi razoável em 4 de 5 kits (num kit foi determinada uma especificidade inferior a 61%), a sensibilidade variou entre os 35% e os 66% e a concordância no teste foi inclusive menor (Gradoni, 2002).

Métodos de Detecção de ADN parasitário
A Polimerase Chain Reaction (PCR) é uma técnica muito útil para o diagnóstico da Leishmaniose, para o seguimento dos pacientes durante e após o tratamento e para a identificação da espécie de Leishmania.
É possível detectar ADN da leishmania nos aspirados de medula óssea, de linfonodos, bem como em amostras de sangue (a sensibilidade pode ser menor com amostras de sangue). A sensibilidade e especificidade deste método são altas. A sensibilidade é tão alta que podem ser detectados parasitas mesmo em animais que têm estado clinicamente sãos há vários anos.

 

Leishmania a nível microscópico
Leishmania a nível microscópico

Leishmania a nível microscópico
Leishmania a nível microscópico